Como convencer um idoso a fazer uma avaliação neuropsicológica?
O momento de sugerir uma avaliação neuropsicológica a um familiar idoso costuma ser cercado de cautela. A resistência não é apenas uma escolha, mas muitas vezes é o reflexo do medo de perder a autonomia ou, em casos de comprometimento neurológico, da própria dificuldade do cérebro em perceber seus próprios declínios (anosognosia).
Para que o processo seja colaborativo e menos conflituoso, a abordagem deve ser personalizada, levando em conta o histórico, a personalidade e o nível de compreensão do idoso.
- Adequando a comunicação ao perfil do idoso
Não existe uma fórmula única. A linguagem deve ser calibrada de acordo com o perfil de cada idoso, sendo válido considerar estratégias como:
- Falas com acolhimento da insegurança, focando na prevenção e na otimização do desempenho, apresentando a avaliação como um rastreio de saúde necessário para manter a gestão das próprias atividades;
- Comunicação com ajuste da terminologia costuma reduzir a carga de ansiedade e o sentimento de estar sendo julgado, sem focar nos pontos onde ele acredita estar bem. Para isto, ao invés de teste ou exame, é válido termos como “conversa com especialista”, “check-up geral de saúde” ou “mapeamento de rotina”.
- O papel dos profissionais
Muitas vezes, a resistência do idoso é uma resposta à inversão de papéis (filhos tentando orientar pais). Quando o diálogo familiar atinge um impasse, a melhor estratégia é contar com a orientação de uma figura de autoridade externa.
- Peça ao médico de confiança (geriatra, cardiologista ou neurologista) que faça a solicitação da avaliação durante uma consulta de rotina, enfatizando sua importância;
- A recomendação vinda de um profissional de saúde costuma ser aceita com menos resistência do que a sugestão dos familiares, pois é percebida como um protocolo clínico padrão.
- Mantendo a dignidade
Mesmo quando há declínio cognitivo, o idoso deve ser tratado com dignidade.
- Evite a infantilização: Não fale sobre ele na frente dele como se ele não estivesse presente;
- Foque na preservação, não na perda: Em vez de listar o que ele está esquecendo, fale sobre como a avaliação ajudará a manter as habilidades que ele ainda possui, como conversar, receber a família, dirigir, cozinhar ou cuidar das finanças.
Conclusão
Superar a resistência exige paciência e, sobretudo, uma mudança de perspectiva da família. Ao transformar o confronto em uma estratégia de cuidado, o processo torna-se um passo natural na manutenção da saúde e da qualidade de vida na terceira idade.